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As tentações de Santo Antão

As tentações de Santo Antão

Editora: Iluminuras
Avaliação:
R$ 119,00 á vista

Em até 4 de 29.75 s/juros

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Código: 9786555190724
Categoria: Romances
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Inclui textos de Paul Valéry, Contador Borges e Denis Bruza Molino com 42 reproduções das litografias de Odilon Redon

Pode-se ler este livro como uma alegoria: o deserto em que vagueia o anacoreta, por entre penhascos e areia, tudo povoado por fantasmagorias e alucinações, é também o da literatura, aquele espaço literário, já esvaziado, repleto de tentações, e que Maurice Blanchot, num gesto de pura e absoluta genialidade, soube ler, de modo tão preciso quanto complexo, como etapa decisiva na formação da chamada literatura moderna.

Alias, seria toda uma outra e longa história pensar no deserto como espaço formador da própria literatura: neste caso, deserto é, ou pode ser, sinônimo de recusa e de negatividade, uma das categorias fundamentais, como se sabe, do moderno em literatura e nas artes.

É um arco tenso: desde o que há de desértico na Mancha, de Cervantes e do comovente Cavaleiro da Triste Figura, até aquele dos tártaros de Buzatti. Ou aquele capaz de provocar o aparecimento de um pomar às avessas, como está no João Cabral de Melo Neto de Psicologia da composição.

A tensão do arco se desfaz, no entanto, pela entrega às tentações da positividade que são os significados sem risco: a aceitação da literatura que diz, com certeza, algumas coisas já consumidas pela tradição literária.

Flaubert sabia disso e a primeira grande tentação era aquela do conhecimento enciclopédico que viria eliminar o deserto por uma acumulação impiedosa de livros e saberes cuja maior crítica ele haveria de realizar em Bouvart e Pécouchet.

Este livro deixa ver, de modo incipiente, como cabe a obras iniciais, traços dessa resistência e, por que não dizer, dessa luta sobre-humana em prol da recusa e do risco.

Não é a isso que se chama de flaubertiano, por excelência, a essa luta pelo esvaziamento de um espaço que deve ser assumido pelo rigor quase suicida da linguagem?

A história foi contada em detalhes por esse admirável Maxime du Camp no quinto capítulo de suas ricas Souvenirs littéraires (1822-1894), intitulado precisamente “La tentation de Saint Antoine”.

Gustave Flaubert convocara dois amigos, Maxime e o poeta Louis Bouilhet, para ouvir, sem direito a interrupções, a leitura do novo livro que ele terminara de escrever, depois de anos de trabalhos que envolviam pesquisas históricas e religiosas volumosas e rigores estilísticos. Trabalhos tão exigentes que chegaram a por em perigo a saúde do jovem escritor, o que motivará a viagem que fará, em seguida, ao Oriente.

Reuniram-se no retiro flaubertiano de Croisset e, com paciência e contenção, submeteram-se à audição do longo texto.

“A leitura, diz Du Camp, durou trinta e duas horas; durante quatro dias ele leu, sem esmorecer, de meio-dia a quatro horas, de oito horas a meia-noite. Foi estabelecido que nos reservaríamos nossa opinião e que não a expressaríamos senão depois de ter ouvido a obra inteira.”

O veredito acerca do manuscrito foi anunciado por Louis Bouilhet e ele foi arrasador: “Pensamos que é preciso lançá-lo ao fogo e nunca mais voltar a falar dele.”

Os argumentos para um julgamento tão radical são analisados pelo próprio Du Camp e eles se resumem em que não podiam entender uma narrativa que fugia tão completamente dos princípios da verossimilhança realista, terminando por dificultar a compreensão e o entendimento. Ou, como diz Du Camp: “Sob o pretexto de levar o romantismo ao extremo, Flaubert, sem que ele disso duvidasse, voltava atrás, voltava ao abade Reynal, a Marmontel, a Bitaubé mesmo, e caía na difusão.”

Muito mais tarde, Flaubert fará uma revisão do texto. Não antes de tentar outras obras mais de acordo com as críticas dos dois amigos, como Madame Bovary e Salambô. Precisamente aquelas obras que Paul Valéry, no texto usado aqui como prefácio, afirma oferecer menos encantos do que as Tentações...

É a obra refeita que agora se lê nesta edição, enriquecida pelas obras de Odilon Redon e pelos ensaios de Paul Valéry, Contador Borges e Denis Bruza Molino, assim como pela competente tradução de Luís de Lima, bem na linha de Novembro, do mesmo autor, publicado pela Iluminuras.

 

JOÃO ALEXANDRE BARBOSA

1
Código de Barras9786555190724
Páginas256
Data de publicação25/01/2021
Formato23 x 16 x 1.4
Largura16
Comprimento23
AcabamentoBrochura
Lombada1.4
Altura1.4
Tipopbook
Número da edição2
Classificações BISACFIC004000; FIC042110; REL062000
Classificações THEMAFV; FBC; FW
Idiomapor
Peso0.465
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