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Uma história das sexualidades
Editora: Edições Sesc
Avaliação:
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Fora de estoqueCódigo: 9786586111231
Categoria: Sociologia
Descrição Saiba mais informações
Se nos anos 1960 a revolução sexual trouxe à tona a questão
da sexualidade, ao questionar o casamento monogâmico,
ao propor o amor livre e ao denunciar a patologização da
homossexualidade, as problematizações de Michel Foucault
desde 1976, apresentadas nos quatro volumes de sua
História da sexualidade, foram decisivas para que as práticas
sexuais ganhassem história, evidenciando-se as enormes
diferenças nas experiências, nas interpretações e nos
códigos morais vigentes ao longo da história ocidental.
Adotando uma perspectiva multidisciplinar e valendo-se
de ampla gama de documentos, este livro organizado por
Sylvie Steinberg recobre uma enorme variedade de temas
constitutivos da história das sexualidades, destacando
que o próprio termo “sexualidade” nasce no século XIX,
trazendo a crença de que a identidade do indivíduo se
funda em sua própria definição sexual. Estamos falando
da moderna partilha entre heterossexualidade e homossexualidade,
datada de 1868 e 1892, respectivamente, e
inexistente em outros momentos históricos.
Com um grande investimento teórico e historiográ-
fico, os cinco capítulos deste extenso volume, escritos
por prestigiados especialistas, partem da Antiguidade
clássica e chegam à atualidade, evidenciando as continuidades
e rupturas no modo pelo qual se experimentaram
o sexo, o prazer e o desejo. Nas sociedades anteriores à
emergência da “sexualidade”, a experiência erótica revela
outras inquietações e proibições. Na Grécia Antiga, o domí-
nio sobre si, o controle dos excessos, caracteriza o cidadão
livre, tornando-o apto a gerir a cidade. Desde o cristianismo,
porém, sexo, corpo e prazer se ligam ao pecado, e o indivíduo
é incitado à renúncia de si e à obediência ao pastor,
único capaz de conduzi-lo à salvação. Para os pagãos, ao
contrário, o indivíduo se constitui a partir de práticas da
liberdade, referenciadas por artes do viver que indicam
um uso temperante dos prazeres, mas não a renúncia a
eles. O sexo ainda não fora libidinizado, nem se inventara
o pecado original.
Presença consolidada na Idade Média, a Igreja cristã
condena as práticas sexuais não destinadas à procriação
e define as formas da conduta. De acordo com a tradição
médica de Hipócrates e Galeno, os médicos entendem
que o coito é indispensável à boa saúde, enquanto a morte
prematura de solteironas, freiras e viúvas se explica pela
ausência do sêmen masculino, vitalizando seus corpos. No
final do século XVIII, a masturbação torna-se um grande
mal, e, no século seguinte, desdobrando as concepções de
Santo Agostinho legitimadas cientificamente pelo saber
médico, a burguesia em ascensão critica os costumes
levianos da sociedade de corte e instaura novas noções
de masculinidade e feminilidade: ao homem sem emoções deve
corresponder a mulher-mãe assexuada e abnegada. As
teorias eugenistas e racistas encontram, então, solo fértil,
ampliando-se com a noção de “perversões sexuais”. Assim,
a humanidade é dividida entre “normais” e “anormais”, o
que significa a estigmatização destes últimos, nessa lógica
binária que o feminismo e o movimento gay criticarão na
década de 1960, retomando a herança dos trabalhos de
Freud e Reich, que propõem “liberar a força do éros – a
pulsão de vida”. Em nossos dias, quando a teoria queer
subverte as identidades sexuais, buscando a superação dos
binarismos do gênero e reivindicando a pansexualidade,
é possível dizer que assistimos a uma “nova revolução
sexual”? A questão está lançada neste livro, assim como o
convite para essa rica e prazerosa incursão em dimensões
fundamentais da nossa existência.
Margareth Rago
Professora livre-docente do Departamento de História
da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)
Acabamento | Brochura Costurado c/ Orelhas |
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Páginas | 336 |
Data de publicação | 20/06/2021 |
Formato | 23 x 16.2 x 1.7 |
Lombada | 1.7 |
Altura | 1.7 |
Largura | 16.2 |
Comprimento | 23 |
1 | |
Código de Barras | 9786586111231 |
Tipo | pbook |
Número da edição | 1 |
Classificações BISAC | SOC065000 |
Classificações THEMA | JHBK; JBFW |
Idioma | por |
Peso | 0.536 |
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